Para saber como editar fotografias, é essencial que o fotógrafo consiga garantir o material na hora do clique; entenda
Saber como editar fotografias economiza tempo. Com as câmeras digitais, é comum fazer muitas fotos, porém, o fato de não haver limitação de poses e cliques faz com que o fotógrafo possa ter mais trabalho no final se não tomar alguns cuidados.
Diogo Yanata, Professor de Fotografia dos cursos da Panamericana Escola de Arte e Design, agora integrante do Grupo ESPM, comenta que existe um jargão no meio profissional que é o “dedo mole”: trata-se da pessoa que faz muitas fotos por falta visão de edição antecipada e tem mais trabalho para selecionar as melhores.
Para evitar isso, confira 8 dicas do especialista de como editar fotografias:
1. Planeje a foto
O princípio básico da boa fotografia é capturar as imagens com intenção, ou seja, analisar antes de clicar para a foto ser o mais fiel possível ao que o fotógrafo deseja. Isso é tão importante que, no curso de Fotografia Aplicada da Panamericana, há o seguinte exercício: em uma aula de três horas o aluno tem direito a fazer um único clique e a imagem não pode ser apagada. O objetivo é provocar a pessoa a refletir sobre o que quer fotografar e expressar com aquela imagem. Isso estimula o aluno a pensar muito mais e se dedicar a construir essa imagem em sua mente antes de levantar a câmera.
No caso de sessões mais dinâmicas, como as de moda, fazer muitas fotos faz parte da proposta. “Com a tecnologia atual de múltiplos disparos, você faz até 100 fotos por segundo”, explica Yanata, destacando que o recurso é uma vantagem. Em contrapartida, haverá muito material para editar, logo, quando há uma intenção bem definida a edição vai ser mais objetiva.
2. Fotografe como se não houvesse tratamento
O professor defende a máxima de que menos é mais: fotografe como se não fosse haver tratamento, porque às vezes um filtro grita mais alto do que a própria imagem. Os rostos ficam com pele de porcelana, sem identidade e expressão. Diante de tantos recursos digitais, há quem não se importe em fotografar um produto que esteja com alguma sujeira do lado, porque dá para tirar esse ruído visual no computador.
Em momentos como esse, vale ter um pouco de mentalidade da velha guarda, da época do filme de 35mm ou 4×5, como se não houvesse os recursos tecnológicos que existem hoje no tratamento. Isso economiza tempo de pós-produção, o que é uma vantagem, porque algumas entregas são praticamente em tempo real. Quanto mais resolver na captura, menos tempo de edição e tratamento.
3. A boa exposição garante a foto
O tratamento pode melhorar, mas não deve artificializar a foto. Por isso, o profissional recomenda o uso do filtro gelatina durante a sessão, em vez de aplicar depois. Para ele, na hora de definir a exposição — a quantidade de luz que incide no sensor da câmera e registra a imagem —, quanto mais assertivo o fotógrafo for, melhor. “Não é no tratamento que você vai salvar essa imagem”, ressalta Yanata.
Três elementos determinam a exposição:
- • abertura do diafragma, que regula a abertura da lente para controlar a intensidade de luz e a profundidade;
- • o tempo de exposição;
- • o ISO, que determina a sensibilidade à luz – quanto menor ISO, menor será a exposição à luz.
4. Siga o briefing
A seleção de imagens deve obedecer ao briefing do cliente. Se ele pede uma foto com um espaço ao lado de um produto, para uma inserção posterior de texto, a escolha das fotos deve privilegiar as que obedecem a isso e que estão 100% focadas. Fotos levemente tremidas, com pessoas de olhos fechados, piscando ou com uma expressão facial que não ficou boa são descartadas de cara.
“Escolha as que transmitam o que o cliente quer ou a sua intenção, que passem ideia de movimento ou que estejam tecnicamente resolvidas para você”, diz Yanata. Segundo o professor, no caso de alguma coisa dar errado, mas ainda assim a foto ficar boa, vale apresentá-la como opção mais artística. “Não se autocensure, talvez seja o caso de arriscar e apresentar para o cliente como alternativa, mas você tem que entender o porquê daquele erro.”
5. Usou filtro? Retire 20% da opacidade
Uma dica de ouro é regra dos 20%: “Terminou o tratamento, você aplicou um filtro, tire 20% de opacidade. Você vai ter algo mais natural, porque normalmente a pessoa se empolga na hora de tratar e perde a mão, a não ser que seja algo mais artístico que realmente você queira”.
De acordo com o professor, hoje muitos fotógrafos, especialmente os de moda, deixam tudo para a pós-produção, e quando se compara o arquivo bruto com o que foi publicado a diferença é enorme. Com isso chega-se à seguinte questão: até onde é a fotografia do profissional ou o resultado final é manipulação de imagem?
6. Elimine ruídos visuais desnecessários
Uma vantagem do tratamento é a possibilidade de tirar as “distrações” da foto. Em uma sessão externa, por exemplo, o pedaço de uma planta ou uma pessoa passando atrás da cena atrapalham. “Antes de qualquer tratamento eu sempre acerto o enquadramento, apago as arestas, tiro o que me convém e tento enquadrar o que é mais interessante para mim.”
7. As fotos devem ter coerência visual
Toda sessão de fotos deveria ter a mesma identidade para o ensaio ter coerência visual. Essa uniformidade precisa estar no tratamento também, ou seja, as fotos têm que ser tratadas da mesma forma.
“É claro que a sua linguagem também pode ser composta por uma quebra de ritmo”, aponta Yanata. “Em um editorial, por exemplo, quase todas as imagens são em preto e branco, eu coloco uma colorida no meio e o restante em preto e branco. Tudo bem, houve uma quebra de ritmo ali, que foi intencional. Se o observador entendeu a sua mensagem, você cumpriu o seu trabalho.”
8. Os erros mais comuns no tratamento
O erro mais comum na hora do tratamento é exagerar na saturação. Se pesar o profissional pesar a mão, a imagem perde textura, informação e qualidade. Se o objetivo é acentuar a cor, isso deve ser planejado na hora de ajustar a iluminação antes de fotografar.
Outro toque importante é o de que o tratamento de pele de pessoas não deve tirar volume, expressão e textura. Ao contrário da estética atual, o melhor seria aceitar as pessoas como elas são para trazer verdade naquilo. Claro que olheiras ou uma espinha podem ser removidas, mas uma verruga como a da Sabrina Sato, jamais deve desaparecer.
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