Entenda porque é importante pausar para desenvolver a criatividade
Nos anos 1990, o sociólogo italiano Domenico De Masi publicou o livro O ócio criativo na Itália, no qual afirma que o ócio criativo é fundamental tanto para o trabalho quanto para o indivíduo. “Quando a gente fala em ócio, as pessoas pensam ‘vou ficar sem fazer nada’, e não é bem essa ideia”, esclarece Rogério Moraes Martins, Professor do curso Artes Plásticas da Panamericana Escola de Artes e Design, integrante do Grupo ESPM. “A ideia é muito mais de equilíbrio entre as atividades que a gente faz.”
Abaixo, descubra o que é o ócio criativo e sua importância.
O que é ócio criativo
Em um mundo hiperconectado, onde as jornadas de trabalho se estendem para dentro de casa e os casos de burnout se multiplicam, cultivar o ócio criativo é uma necessidade. No entanto, engana-se quem acha que basta não fazer nada para despertar a criatividade. O ócio criativo propõe uma harmonia: não se trata de trabalhar ou se divertir o tempo todo, tampouco de só descansar, mas de encontrar um ponto de equilíbrio que permita ao cérebro processar informações e fazer conexões inusitadas.
Ideias podem surgir na contemplação
A pausa contemplativa é terreno fértil para as ideias germinarem. É por isso que muitas pessoas têm insights quando estão tomando banho ou caminhando, por exemplo. O famoso “momento eureca” não acontece por acaso. Uma ideia surge porque a pessoa já estava pesquisando sobre algo e buscava uma solução, e quando ela muda o foco e relaxa, o cérebro dá um respiro e consegue processar aquilo.
Estabelecer horários de lazer e de contemplação é uma boa pedida. “Às vezes a pessoa está fazendo uma atividade de lazer, mas não está pensando sobre o que está fazendo, é meio automático. O ócio entra naquele momento em que você não está fazendo uma coisa, nem outra. Você só está observando”, aponta o professor.
Como cultivar o ócio criativo
Para ancorar o ócio criativo no dia a dia, Martins sugere cinco medidas práticas:
- 1. Crie o hábito de interromper o expediente em intervalos regulares: levante da cadeira, caminhe um pouco, alongue-se, olhe pela janela. A pausa não é apenas mental — é física também. A musculatura do olho, por exemplo, precisa de descanso depois de horas focada na mesma distância. Deixe a garrafa de água longe da mesa, para ser obrigado a levantar sempre que quiser se hidratar. Se tem dificuldade de lembrar, recorra a aplicativos ou configure alarmes no celular para avisar a hora de parar;
- 2. Nem toda atividade de lazer equivale a um momento de ócio criativo. Assistir a uma série ou navegar nas redes sociais pode ser apenas entretenimento automático. O ócio verdadeiro é aquele em que você não está fazendo coisa alguma e está apenas observando, deixando a mente vagar sem compromisso. É nesses intervalos de “não fazer” que o cérebro processa informações e encontra soluções inesperadas;
- 3. Diversifique sua rotina: faça caminhos alternativos para o trabalho ou na volta para casa, coma em restaurantes diferentes, ouça vários estilos de música, leia sobre temas que você não conhece e consuma conteúdos que não fazem parte do seu dia a dia. Pequenas variações na rotina tiram o cérebro do automático e criam novas conexões;
- 4. Tenha sempre à mão um caderno para anotar ideias e registre tudo o que vier à cabeça: pensamentos soltos, observações, insights, mesmo que pareçam absurdos ou aparentemente inúteis. Não julgue enquanto anota. Quando precisar criar algo, folheie seu caderno de matéria-prima criativa e escolha ideias para testar;
- 5. Desconstrua a crença de que criatividade é dom. Todo mundo nasce criativo e pode treinar sua criatividade fazendo cursos como os da Panamericana. Em vez de pensar “alguém já deve ter feito isso”, pense “vamos ver no que dá”. A convicção de que uma ideia é possível faz parte do processo tanto quanto a ideia em si.
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