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Design de games: tudo o que você precisa saber

Publicado em:
23 de fevereiro de 2026

Coordenador dos cursos de Animação e Games da Panamericana explica como é o trabalho de design de games e o que faz um game designer

 

Design de games e game designer são coisas distintas. Segundo Rodrigo Castanho, Coordenador dos cursos de Animação e Games da Panamericana Escola de Arte e Design, integrante do Grupo ESPM, o game designer é “responsável pelo projeto do jogo, ele é a ideia, o coração”. Este profissional desenvolve uma história própria ou adapta uma já existente, pensa nas regras, nas mecânicas e nas interações do jogador, organizando todas as possibilidades e construindo o jogo do ponto de vista de jogabilidade.

 

O que faz o game designer

O game designer planeja tanto as ações do jogador — tocar na tela, apertar um botão, pular, atirar, agachar – quanto as reações do sistema. Ele decide se a narrativa será fechada, quando o jogador vive o que o autor escreveu, como o jogo Mario Bros, ou aberta, onde as decisões do jogador alteram o final da história, como no GTA (Grand Theft Auto). Todo o planejamento de um jogo costuma ser formalizado em um GDD (Game Design Doc), documento que conta não só a história, mas as regras, os tipos de plataforma, público e até modelo de negócio.

 

Como se desenvolve um jogo

O processo começa com o conceito visual, que define a ”cara” do game. A partir daí vem a decisão técnica e estética entre adotar animação 2D e 3D para a modelagem dos personagens e elementos de cena e, por fim, a integração das peças soltas por um technical artist, que reúne tudo isso e monta o jogo, dando vida ao projeto inicial.

 

A montagem em um software de engine de games é o momento em que o projeto se transforma em algo palpável. A diferença entre isso e uma animação de cinema é que tudo precisa rodar e acontecer enquanto uma pessoa joga. “As animações que aparecem são renderizadas em tempo real: cenários, personagens e mecânicas são executados ao vivo”, explica Castanho.

 

Um dos pontos importantes do design de games é o uso consciente da psicologia, para manter o jogador engajado. O game funciona como um sistema de recompensas e punições, onde acertos geram medalhas, moedas ou upgrades, e erros exigem recomeço, incentivando a repetição e o aperfeiçoamento. Para o coordenador, o objetivo do designer é “instigar para que o jogador fique mais tempo ali, que ele se sinta bem, se sinta recompensado”.

 

As ferramentas necessárias

Para trabalhar com design de games é necessário um computador potente com uma boa placa de vídeo, além de ferramentas como:

 

  • – Blender: gratuita hiperpoderosa, a ferramenta oferece todos os recursos necessários para a construção do jogo. Por essa razão, é utilizada nos cursos da Panamericana;
  • – Unreal Engine e Unity: as duas ferramentas são as principais para engine de jogos;
  • – Godot Engine: plataforma gratuita e amplamente utilizada que também oferece ótimos recursos.

 

Como é o mercado

Os games movimentam mais dinheiro do que as indústrias da música e do cinema juntas, e a maioria desse mercado está nos chamados jogos casuais, que são os de celular e tablet. “Um jogo pequeno a pessoa consegue fazer sozinha, dentro de casa”, afirma o professor, que trabalhou durante muito tempo desenvolvendo jogos casuais sozinho.

 

Além das produções milionárias e para celulares, existe trabalho em advergames para marcas promoverem seus produtos, experiências gamificadas aplicadas a plataformas de ensino formal e de idiomas, além de treinamento corporativo, entre as opções mais comuns.

 

Profissões em design de games

Castanho descreve a indústria como um conjunto de funções complementares: há roteiristas, ilustradores, modeladores, animadores, shaders, técnicos de computação gráfica, programadores e designers de som. Em estúdios maiores, as atividades são bem setorizadas — há até quem seja modelador de árvores —, enquanto em contextos com menos recursos os profissionais acumulam funções. “O profissional brasileiro joga em todas as posições”, revela ele. Ou seja, é um generalista com talento nacional exportável e adequado a trabalhos remotos e contratos com estúdios estrangeiros.

 

Caminhos profissionais possíveis incluem:

  • – trabalhar como diretor criativo ou gerente de projeto;
  • – empreender e montar um pequeno estúdio;
  • – especializar-se em áreas técnicas (ilustração, modelagem, som, programação);
  • – atuar em setores adjacentes, como gamificação e experiência do usuário.

 

Leia também

  • – Animação 2D e as inúmeras possibilidades de crescimento no mercado de comunicação
  • – Motion Design e as inúmeras possibilidades de crescimento no mercado de comunicação
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