Especialista explica o que é importante para fazer uma boa imagem, e isso vai além do conhecimento técnico
Para tirar foto profissional é preciso dominar técnicas ensinadas em cursos de peso, como o de Fotografia Aplicada da Panamericana Escola de Arte e Design, que agora faz parte do Grupo ESPM. Mas só isso não basta. É preciso ir além, conforme explica Diogo Yanata, professor dos cursos de fotografia da Panamericana. Segundo ele, uma boa imagem também é resultado de um conjunto de expertises que o fotógrafo desenvolve. Confira:
Toda foto tem um propósito
“O fotógrafo amador fotografa por curiosidade e porque algo lhe chamou atenção. Já o fotógrafo profissional tem uma intenção”, afirma Yanata. Portanto, quem quer saber como tirar foto profissional tem que ter, em primeiro lugar, uma intenção. Antes de levantar a câmera, pergunte-se o que deseja dessa imagem. Por exemplo: para fazer o retrato de alguém, o fotógrafo pode planejar um ângulo que valorize seus traços, ou que deixe o fundo desfocado, a fim de construir uma fotografia e não apenas fazer cliques aleatórios.
Faça como os maias
Ter um bom repertório é muito importante. “O que é o repertório? É você sair da sua bolha e consumir culturas diferentes, artes diferentes. Não é porque quero ser fotógrafo que vou consumir só fotografia. Não, vou consumir pinturas, dança, teatro, cinema, literatura”, explica, “porque não dá para ficar só na rede social e achar que vai adquirir uma nova cultura ou um novo conhecimento ali. Você tem que sair, como os maias faziam”. Ou seja, olhar para tudo o que existe ao redor e coletar inúmeras referências que um dia vão ser úteis como inspiração. Consequentemente, o fotógrafo cria a sua linguagem.
Conecte-se com quem vai fotografar
Antes de pegar a câmera em uma sessão de retrato, o fotógrafo precisa se conectar com aquele personagem. Se não houver conexão, a pessoa não vai entregar o que você precisa. A lição é básica: pesquise sobre quem vai ser fotografado. Mas pesquise mesmo. Você vai entender como é a vida da pessoa, o que ela gosta de comer (isso ajuda no catering), o tipo de música que a agrada (quando ela chega ao estúdio o som ambiente foi escolhido para ela) e procure entender como ela gosta de ser fotografada, observando materiais já publicados. “Se a pessoa usa o cabelo jogado para um lado, normalmente esse lado que ela joga o cabelo ela quer esconder. Então você sempre pergunta: ‘qual lado do rosto você gosta mais?’”.
Prestar atenção a esses detalhes e saber “ler” a pessoa faz parte da direção de fotografia, que é a chave do trabalho. Afinal, quem vai ser fotografado precisa se sentir muito à vontade para a sessão render e as imagens traduzirem a intenção do fotógrafo. De acordo com Yanata, a maioria dos retratistas trabalha com uma iluminação que não é mirabolante, mas o diferencial das fotos é o clima, a comunicação entre a personagem e o fotógrafo. “A foto profissional é muito mais o relacionamento antes do clique do que a própria foto em si”. Em um editorial de moda, a abordagem é diferente, porque os modelos estão ali para outro propósito. O fotógrafo dirige a cena com uma ou mais pessoas.
Flash, aliado fundamental
A foto profissional envolve técnicas de iluminação importantes, como o uso de flash, que traz resultados muito bons. O flash é uma impulsão de luz na cena e agrega mais informação para a imagem. Bem usado, cria fotos incríveis. A luz natural para sessões externas também rende ótimas imagens, seja de personagens, modelos ou natureza.
Atenção ao enquadramento
Um ponto que faz toda a diferença é o enquadramento, a composição da imagem. Antes de clicar observe o visor, olhe tudo o que aparece e se dê um tempo para entender o que você quer ou não naquela foto. Só o fato de entender isso economiza cliques desnecessários.
O clima com a equipe também é importante
Todos os integrantes da equipe têm a sua responsabilidade na sessão, mas o fotógrafo tem o maior peso na hierarquia e é ele quem dá o tom do clima do estúdio. O resultado final do trabalho é responsabilidade dele, mas não existe resultado bom sem assistente, maquiagem, figurino, produção e cenário igualmente bons. Tudo isso tem a ver com o entrosamento da equipe.
Acompanhe o espírito do tempo
“Fotógrafo é muito relutante, especialmente os mais antigos, mas você tem que ser a favor da mudança, porque as coisas não vão retroagir para voltar ao que eram antes”, diz o professor. “ Você não vai agir por modismo, mas vai se adaptar a novos conceitos, a novas estéticas, e assim se mantém no mercado”. Segundo Yanata, muitos fotógrafos têm sido resistentes ao uso da IA, mas é um caminho sem volta, então os profissionais vão ter que se adaptar a isso. “Eu acredito que a IA não vai substituir jamais a fotografia, porque a IA é muito racional. E nós não”.











